Sobre

Ruake* um Grupo de Pesquisa na Amazônia

Em nível mundial, as discussões acerca da educação de pessoas com Necessidades Educacionais Especiais (NEE) ao longo dos anos resultaram em documentos que indicam que é necessário promover mudanças, tanto no campo das políticas quanto das práticas escolares, que, geralmente, têm como base a ideia de alunos homogeneizados. Nesse contexto, a inclusão dos alunos com NEE em classes comuns do ensino regular apresenta-se como algo consensual.

No Brasil esse movimento toma força a partir da promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional em 1996, provocando inquietação nas escolas públicas e privadas da educação básica, que vêm buscando pôr em prática os pressupostos da inclusão. O processo de inclusão deve garantir que os alunos com NEE participem da comunidade de aprendizagem, além de promover um real avanço nas habilidades cognitivas de socialização.

Porém, algumas pesquisas mostram, principalmente, nas escolas de ensino regular, que determinadas práticas pedagógicas não garantem o processo de ensino e aprendizagem de muitos alunos. Isso sem se falar nos alunos com NEE, os quais necessitam de métodos de ensino diferenciados e de adaptação curricular para promover seu desenvolvimento e aprendizado.

Nesse sentido, é necessário e urgente invertemos essa lógica e desenvolvermos ações pedagógicas eficazes para promover a inclusão, sem perder de vista que o papel da escola é de garantir que o acesso, a permanência e a qualidade sejam disponibilizados aos alunos na proporção das dificuldades e/ou limitações criadas pela sociedade. Ou seja, é necessário garantir a estes uma interação e participação plena em toda comunidade de aprendizagem, indo além dos limites da convivência entre os com ou sem NEE.

A realidade é complexa no que diz respeito ao ensino de ciências e matemática para alunos com NEE nas escolas regulares, pois encontramos, nas salas de aula, professores que se julgam não preparados e, consequentemente, com dificuldades para desenvolver métodos e adaptações necessárias aos “novos” alunos, uma vez que há pouco tempo estes últimos frequentavam apenas escolas especiais.

As discussões, principalmente nas últimas décadas, sobre a inclusão de pessoas com NEE, estão se difundindo cada vez mais em nosso meio, trazendo novos desafios para o cenário escolar e, consequentemente, para as pesquisas referentes à Educação de modo geral. Não tem sido diferente na área da Educação Matemática, e temos visto que um novo eixo de pesquisa tem se estruturado. Este eixo vem se transformando em um polo agregador de um grupo de pesquisadores preocupados com o desenvolvimento de uma Educação Científica e Matemática “para todos”, na qual as particularidades associadas às práticas matemáticas dos diferentes aprendizes são valorizadas e entendidas, ao invés de serem esquecidas, ignoradas ou até mesmo consideradas ilegítimas.

Nesse contexto, as atitudes de inclusão e exclusão ainda estão ligadas aos modelos de “seres humanos perfeitos e/ou normais”, contribuindo para reforçar a ideia de segregação, incapacidade e anormalidade. Durante algum tempo, buscou-se a educação individual da pessoa com NEE como forma de aproximação com as pessoas ditas normais, objetivando desenvolver sua normalidade e facilitar o processo de integração por meio da aprendizagem. “A ideia inicial foi, então, a de normalizar estilo ou padrões de vida, mas isto foi confundido com a noção de tornar normais as pessoas deficientes” (SASSAKI, 1997, p.32).

Algumas estratégias desenvolvidas para minimizar esse tipo de segregação foram as novas denominações, como excepcionais, deficientes, portadores de deficiência, portadores de necessidades especiais, portadores de necessidades educativas especiais e mais recentemente pessoas com Necessidades Especiais. No entanto o problema vai além das nomenclaturas atribuídas, passando pelo viés político-ideológico e social, impregnado por concepções e práticas de um passado que privilegiava a segregação em detrimento da integração. Segundo Wanderley (2001, p.17), esta segregação está atrelada a “rótulos de inúmeros processos e categorias, uma série de manifestações que aparecem como fraturas e rupturas no vínculo social – ou seja: a exclusão social…”.

Devemos considerar o processo de inclusão da pessoa com NEE como um dos novos paradigmas da educação, no caso brasileiro, legalmente amparado pela Lei nº 9.394/96, a qual delega à família, à escola e à sociedade o compromisso com efetivação de uma proposta de escola para todos.

Nesse sentido, a sociedade e o poder público deverão despertar para várias prioridades que permitam efetivar os pressupostos básicos da escola inclusiva: a aceitação, a compreensão, o respeito, a educação de seres humanos especiais. A inclusão dessas pessoas supõe uma superação dos preconceitos, metodologias de trabalho e conhecimento científico.

Nesse contexto, o Grupo de pesquisa Ruaké do Instituto de Educação Matemática e Científica (IEMCI) da Universidade Federal do Pará (UFPA), realiza pesquisas na área de Educação em Ciências, Matemática e Inclusão com o objetivo de acompanhar e refletir sobre os processos de escolarização de estudantes com NEE, discutindo a adequação das práticas, políticas educacionais e desempenho acadêmico dos estudantes.

O Ruaké realiza reuniões semanais nas dependências do IEMCI/UFPA para fins de estudos dos referenciais teóricos, socialização e debates de textos da área de estudo. Também serão desempenhadas pesquisas bibliográficas que subsidiam os estudos, debates acerca da educação de pessoas com NEE.

Os projetos de pesquisa dos integrantes do Ruaké, em nível de graduação, mestrado e doutorado, serão construídos a partir das investigações dos membros que compõem o próprio Grupo. Conforme exigência da área de Ciências e Matemática. Além disso, a cada ano o Grupo contará com integrantes oriundos das novas turmas de graduação, mestrado e doutorado.

Atualmente os subprojetos de pesquisa do Grupo estão relacionados às várias Necessidades Especiais – surdez, cegueira, surdocegueira, autismo e educação hospitalar.

Finalmente, acreditamos que o processo de inclusão de pessoas com NEE deve ser parte integrante das discussões acadêmicas, que objetivem atingir educação para todos. A inclusão escolar traz no seu bojo a equiparação de oportunidades, a mútua interação de pessoas com e necessidades especais e o pleno acesso aos recursos da comunidade escolar.

* Palavra do vocabulário Tupi que significa “perto, ao lado, junto”. O Ruaké é um Grupo de Pesquisa em Educação em Ciências, Matemáticas e Inclusão vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemáticas (PPGECM) do Instituto de Educação Matemática e Científica (IEMCI) da Universidade Federal do Pará (UFPA).

(SALES; PENTEADO; WANZELER, 2015)

Linhas de Pesquisa

Educação em Ciências para Pessoas com Necessidades Educacionais Especias

Educação Matemática para Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais

Página no CNPq

http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/3464495128235062

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